Os 5,8% de reajuste na tarifa de táxi praticada na capital fluminense está longe de cobrir todos os gastos do taxista. Apesar disso, muitos prefeririam que não houvesse aumento algum. E a alegação é a praça aquecida, além do fato de que os motoristas auxiliares amargarão a subida no preço das diárias, antes tão combatidas.
Mas a realidade pode ser bem diferente do que alguns taxistas pensam. O índice de reajuste tarifário pode não significar um aumento real nos ganhos. O percentual está bem longe do concedido pela prefeitura carioca aos empresários de ônibus – 13,3%. Dois pesos, duas medidas.
O taxista também é um consumidor. Além das despesas do carro, tem que se alimentar, se vestir e ter uma vida normal nos momentos raros em que está fora do volante. E o índice de inflação medido pela Fundação Getulio Vargas em 2014 foi de 6,87%, pouco mais de um ponto a mais do que recebe o taxista.
Este fato por si só pode indicar que o reajuste não houve. Os 5,8% deixou de acompanhar a inflação medida pela Fundação. Isto significa que os preços aceleraram mais do que o taxista pode alcançar.
Além de tudo, o táxi é um item que pesa no cálculo da inflação. A cada dia, o brasileiro anda mais de táxi. A viagem em veículos de aluguel é um dos cinco itens que mais pressionaram a inflação em 2014, com o peso de mais de 8%, segundo a Fundação.
Reajustes tarifários com base nos índices de inflação servem apenas para evitar perdas maiores. E quando eles se dão a taxas menores do que os cálculos inflacionários nós podemos dizer que o aumento real deixou de existir. Não houve aumento, como reclamam os taxistas nas redes sociais com palavras das mais diversas.
Por outro lado, o critério adotado para o reajuste das passagens e ônibus foi bem generoso para as empresas. Os 13,3% representam cerca de duas vezes mais os principais índices inflacionários do momento. Lembrando as manifestações do ano de 2013 por conta de R$ 0,10.
A população ainda está embriagada por conta das festas pelo fim do ano de 2014. Os aumentos ocorrem sem maiores manifestações. A ação do Ministério Público é fundamental para esclarecer os motivos desses índices de reajuste. O fato é que, apesar de estarem no setor de transporte de passageiros, táxis e ônibus – incluindo as vans legalizadas – foram tratados de modo diferenciado pelo Poder Público ao conceder “reajuste tarifário” para cada modal.
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