Golpe contra o povo

A cada dia, novas informações iluminam a questão dos aplicativos irregulares. Ninguém pode ser contra o avanço tecnológico. Mas também não é possível desvirtuar o conceito de legalidade por conta da modernidade. Prejudicar o outro continua sendo um ato antissocial, mesmo sendo realizado com criações avançadas da mente humana.


A vereadora Vera Lins foi bastante feliz ao justificar o seu projeto contra o cadastramento de carros particulares por parte de aplicativos. Ela lembra a fraude cometida ao consumidor. Um transporte irregular deixa de dar garantias ao cidadão. Portanto, trata-se de um golpe contra quem paga impostos e busca no trabalho honesto a fonte de sustento.


Por outro lado, a Prefeitura do Rio se mostra lenta no combate às irregularidades. As denúncias contra os carros particulares que ‘trabalham’ na porta de hotéis da Zona Sul são antigas. Apesar de tudo, a prática continua. É certo que vez ou outra uma operação é anunciada. Tiram das ruas alguns veículos. Mas estes retornam logo que a poeira abaixa. O transporte irregular parece vencer qualquer obstáculo.


A indignação já extrapola as fronteiras da capital fluminense. Denúncias da utilização de aplicativos irregulares com o registro de carros particulares para a realização de transporte remunerado já chegam a Nova Iguaçu e outras da Baixada. O mesmo ocorre em Niterói e São Gonçalo. O alerta foi dado aos taxistas locais.


A ação de publicidade do Uber tem sido grande, volumosa e custosa. Seus diretores tentam vender à população o direito de ‘escolha’. Esta ideia joga por terra todo o trabalho de regulamentação e proteção da sociedade. É um golpe contra a população, que corre o risco de deixar de perceber a real ameaça.


De que vale, então, a preocupação da Prefeitura em proteger a população exigindo de taxistas cursos de preparo, carros novos, apresentação impecável, se um aplicativo de origem estrangeira entra no País e agrega profissionais antes rejeitados pelos sistemas oficiais?


Os esforços na regulamentação e preparo de taxistas deveriam justificar a ação mais enérgica da Secretaria municipal de Transportes contra os irregulares. A ausência do secretário Rafael Piciani tem sido comentada de modo negativo. O recado foi dado durante a Audiência Pública.


Apesar da crise, um fato positivo é a união demonstrada pelos taxistas. A praça do Rio é reconhecidamente dividida em vários grupos de motoristas. A questão dos aplicativos chama a atenção para as questões da categoria. A greve do dia 24 de julho, véspera do Dia do Taxista, pode mostrar a importância da categoria para as cidades em que atuam.

Visitantes online

Temos 27 visitantes e Nenhum membro online

Links Interessantes: Coruja Feed  | Agência Igloo Digital