Contra a pirataria

A tentativa de liberação dos aplicativos de carona remunerada pode provocar danos a outros setores da sociedade. Seguindo a lógica de seus defensores, a atividade comercial de transporte de passageiros pode ser exercida sem o controle do Poder Público. Tal raciocíno defende o direito de escolha, que neste caso, fica entre as seguintes opções: serviço legalizado ou não.


Uma emissora de rádio tem que ser legalizada. Caso contrário, é considerada pirata. Se evocarmos o direito de escolha do público, as piratas podem muito bem continuar a operar.


E o que dizer e outros produtos piratas, como CDs e DVDs? A tecnologia de hoje permite a reprodução de obras musicais com a mesma qualidade das originais. O que os defensores dos piratas do transporte teriam a dizer? Defenderiam a pirataria de um modo geral? Aí, seria o fim da sociedade organizada.


A automação também apresenta os seus efeitos negativos. A tecnologia, quanto mais avança, mais retira postos de trabalho. Situação problemática para o futuro de uma população cada vez mais envelhecida e sem escolaridade necessária para enfrentar os desafios que se apresentam.


A criação da Frente Parlamentar em Defesa do Taxista, pelo presidente da Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro, Jorge Felippe, em pleno recesso, mostra a preocupação dos representantes do povo para a questão específica. Mas reiteramos que ela não só é importante para o taxista. É importante para toda a sociedade.


Registra-se que, a cada dia, quatro ou cinco passageiros reclamam do serviço de táxi no Rio. Melhor assim. Pelo menos eles têm onde reclamar. Pior seria se não tivesse. O passageiro que usa dos serviços de piratas corre o risco bem maior. A falta de controle por parte da fiscalização expõe toda uma população ao acaso. E os vereadores sabem disso.


Toda esta questão foi colocada de modo inadequado. Não é o avanço tecnológico que tem que ser combatido. A tecnologia deve apoiar e beneficiar a população, e não, ser usada apenas para enriquecer uns poucos e fragilizar as relações sociais. Antes de apoiar iniciativas predatórias, é preciso que os representantes do povo que os elegeram pensem bem nisso.

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