Ilusão tecnológica

Um mágico tem a habilidade de fazer algo parecer o que não é. Criar ilusões e fazê-las parecer verdadeiras não são apenas dom de mágicos em palcos. No caso do aplicativo Uber, uma mágica foi tão bem executada que vários setores da sociedade o colocam como um serviço de tecnologia inovadora, quando na verdade, de novidade apenas utiliza veículos e motoristas sem autorização legal para o trabalho.


Ao acompanharmos as discussões na Câmara Municipal de São Paulo, vemos que muitos vereadores se deixaram iludir pela mágica de comunicação organizada pela empresa multinacional. Os que defendem o sistema falam em serviço inovador. ‘Não podemos conter a evolução’, e coisas deste tipo. Esquecem que o progressista serviço de intermediação de corridas chegou ao Brasil antes do Uber aportar em terras tupiniquins. Os aplicativos estão aqui e funcionam também sem regulamentação, só que utilizando veículos e taxistas autorizados, de acordo com a lei da profissão.


E muitos taxistas reclamam desses aplicativos pelo rigor que utilizam ao punir o que consideram de errado. Mas o Uber falou mais alto. Chegou e usou vários recursos de comunicação ‘prestidigitadora’ para desviar a atenção a seus problemas legais.


Outra questão é a insegurança do negócio para aqueles que se aventuram a comprar carros caros. Não há qualquer projeção de lucros futuros. Pelo contrário, com o excesso de veículos prestando serviço, e agora com a iniciativa da prefeitura do Rio em licitar carros elétricos para serem compartilhados, a procura será cada vez mais diluída.


Os taxistas do rolé já sentem os efeitos da concorrência predatória. Pior para quem paga diárias cada vez mais difíceis de conseguir. Com a atividade econômica reduzida e os custos sempre crescentes, o número de passageiros caiu e muitos correm para as cooperativas. Efeito do excesso de veículos na praça.


A discussão sobre a regulamentação dos aplicativos que utilizam veículos não credenciados esbarra em um erro. Aplicativos como o Uber, 99 Táxis, Easy Táxi, Stop Táxi, entre outros, utilizam a mesma tecnologia. A diferença é que apenas o Uber desvirtua o mercado ao utilizar carros particulares e adotar tarifas sem qualquer análise de custo do serviço. Tal regulamentação deve, necessariamente, passar pela utilização de veículos credenciados. A questão da qualidade do serviço deve ser levada para o poder concedete. No caso, as prefeituras devem ser as únicas responsáveis por garantir a qualidade do táxi. Caso contrário, estaremos nas hábeis mãos estrangeiras, prontas para nos iludir.

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