Grampos e autonomia

A decisão da presidente Dilma Rouseff em adiar a visita oficial programada aos EUA foi a mais acertada, depois das revelações de que os norte-americanos estão espionando o governo, e principalmente a Petrobras e a própria mandatária do País.

Por mais que a amizade entre os dois países seja fundamental a diversos interesses, a soberania da nação foi posta em jogo. A verdade é que a disputa comercial está muito acirrada em todo o mundo. Vivemos momentos difíceis na política internacional. E o Brasil não pode ficar de fora disso ou se proteger como uma avestruz age ao menor sinal de perigo.

Estamos em época eleitoral. A próxima eleição para presidente da República está na porta. A presidente teria grande prejuízo político caso reagisse de moto fraco à espionagem ianque. A atitude de Dilma reverteu a tendência de queda de popularidade observada nas últimas pesquisas. Pelo contrário, deu mais gás ao marketing político da presidente.

Parafraseando o ex-presidente Lula, nunca antes esse país esteve no foco das questões internacionais. A revelação de espionagem na Petrobras foi um golpe em todo o processo licitatório dos campos de petróleo no Atlântico. Abalou tanto que as grandes empresas se retiraram do processo de leilão do Pré-sal. Ficou no ar a possibilidade de favorecimento a empresas americanas no leilão do petróleo brasileiro.

Ao que tudo parece, a disputa comercial seria o grande fator que levou os americanos de Obama a espionar nossas linhas telefônicas. Dominar a energia do mundo é o sonho dos maiores conglomerados econômicos. As empresas de petróleo não ficam atrás nesse interesse. Mas agora terão fortes concorrentes no Brasil, vindos do longínquo mundo oriental.

É do oriente que surgem novas tecnologias com base em diferentes fontes de energia. Os carros elétricos estão aí. Ainda são caros. Mas apontam para uma alternativa importante neste momento de busca de novas fontes de energia.

A Toyota está bem avançada nas pesquisas. A Nissan firmou acordo com a Prefeitura do Rio e o governo estadual. Duas empresas de origem diferente das americanas no setor automotivo, antes dominado por americanos.

Outros exemplos de 'invasão pacífica' surgem nos mais variados setores da economia. O Brasil está repleto de estrangeiros em busca de novos horizontes de crescimento. A própria indústria nacional, de vez em quando, implementa novidades. O mercado brasileiro deixa de ser exclusivo dos americanos para se abrir a outras nações.

O bom seria se a indústria nacional estivesse mais forte. E está, em alguns setores. A soma disso tudo aliado às questões políticas delicadas formam o cenário observado por Obama e seus assessores.  É por isso que o interesse dos EUA nas atividades econômicas brasileiras é grande. Ao ponto de criar sofisticados aparatos de informação.

A crise Brasil X EUA tem tudo para ser passageira. Existe uma dependência mútua entre os dois países. Nosso país é um grande mercado para diversos produtos norte-americanos, desde produtos manufaturados de tecnologia de ponta a até filmes e música. Vejam os festivais de rock, repletos de seguidores. O que não podemos aceitar é sermos considerados apenas um mercado para produtos estrangeiros. Somos mais do que isso. Somos uma nação de respeito.


 

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