Táxis populares: mais um problema para a categoria

Como se não bastasse a ameaça de licitação dos alvarás, a paralisação das transferências, a proibição de circulação nas faixas e nos corredores, a violência cotidiana, os aplicativos de caronas e a falta de aumento de tarifas, os taxistas de São Paulo têm mais um motivo para se preocupar. Foi apresentado na Câmara Municipal um projeto que quer criar “Táxis Populares” na cidade.


Para resumir a ideia do vereador Jair Tatto (irmão do atual Secretário de Transportes Jilmar Tatto), os táxis populares cobrariam 25% a menos na tarifa, seriam amarelos e os alvarás seriam válidos por 35 anos. Na justificativa, o vereador afirma que os táxis populares irão ampliar o acesso da população ao transporte e gerar empregos.


Concordamos que as formas de locomoção da população precisam ser revistas e melhoradas com urgência. Diariamente os trabalhadores são submetidos a condições degradantes em ônibus, trens e metrôs lotados e ineficientes, apesar de pagar caro para utilizá-los. Então, para que a parcela carente da população fosse alcançada, o transporte coletivo deveria ser analisado pelo vereador.


Colocar nas ruas mais três mil táxis com tarifas menores criará uma concorrência desleal com os taxistas que trabalham de sol a sol e não são contemplados com um aumento há quatro anos. Nesse período, a inflação aumentou os gastos com combustíveis e com o veículo, sem contar a manutenção da própria família com alimentação, aluguel ou financiamento de casa, educação, vestuário, entre inúmeras outras despesas.


Criar mais concorrência, cobrando menos pelo mesmo serviço, é desestimular os profissionais que já estão na praça e que se esforçam para manter a qualidade do atendimento em meio a tantos desafios. Como sempre, a categoria não foi ouvida, e só arcará com os custos de um projeto que, se virar lei, irá beneficiar poucos em detrimento de muitos.

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