Faixas exclusivas estão liberadas para táxis. Mas, até quando?

A Prefeitura de São Paulo gosta de surpreender. O bom que, desta vez, a notícia foi positiva para os taxistas. Mas, como diz o ditado popular, “quando a esmola é muita o santo desconfia”, vamos pensar racionalmente os motivos que levaram à liberação da circulação dos táxis nas faixas exclusivas à direita.


O Ministério Público (MP), após pedir que o Tribunal de Justiça de São Paulo anulasse todos os alvarás e fizesse uma nova licitação, exigiu que a prefeitura proibisse os táxis nos corredores e faixas. A ideia do MP era simples: as faixas exclusivas à direita e os corredores à esquerda deveriam ser utilizados somente pelos coletivos.     


Apesar de não concordar com a posição do MP (um direito democrático que possuímos), podemos entender suas justificativas. Mas, o estranho é que, à época, a prefeitura não se posicionou a favor dos taxistas e, após a realização de um estudo onde apenas membros do poder público puderam participar, decidiram pela proibição de circulação dos táxis nesses locais.


Na verdade, a decisão só não foi pior para a classe, (já que o MP solicitou a restrição aos táxis em todos os trechos), devido à pressão da categoria e ao posicionamento de veículos de comunicação, como a Folha do Motorista. No final, os táxis puderam utilizar algumas faixas, e os corredores em horários restritos.


Porém, vamos voltar à surpresa. Na manhã do dia 12 de setembro, assim, de repente, o Secretário de Transportes, Jilmar Tatto, e o Prefeito, Fernando Haddad, declararam que os táxis poderiam utilizar todas as faixas à direita! Não foi anunciado um estudo prévio ou qualquer tipo de medida que pudesse sinalizar essa decisão.


Então, o que podemos concluir de todo esse drama: os taxistas foram usados para depois serem acarinhados em um momento mais oportuno? Ou simplesmente a prefeitura de São Paulo gosta do impacto de suas medidas? Infelizmente, tudo leva a crer que a eleição teve influência direta nessa decisão. Afinal, o partido do prefeito está em maus lençóis na disputa pelo governo, e a presidência corre o risco de sair das mãos do PT.


Não é justo prejudicar uma classe inteira de trabalhadores apenas para depois se mostrar como o bonzinho da história em época eleitoral. Os taxistas de São Paulo não podem se deixar seduzir por essas medidas que, apesar de benéficas, não são eternas, já que podem ser revogadas a qualquer momento. O importante é votar com consciência, pensando em eleger pessoas que sempre trabalharam para proporcionar dignidade aos taxistas. Apenas uma decisão favorável não é suficiente para mostrar compromisso com a categoria.

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