São Paulo não se resume a ciclovias

Parece que a atual administração municipal elegeu uma bandeira e segue firme em torno dela: as ciclovias. Mas, segundo o Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde (Nupens), da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP, os deslocamentos feitos com bicicleta na Região Metropolitana de São Paulo diminuíram. Além disso, o número de ciclistas entre as pessoas com menor poder aquisitivo passou de 9 para 6 a cada mil habitantes. Entre os mais ricos, ocorreu o inverso: aumentou de 2,5 para 4,5.


Podemos concluir que a mobilidade urbana, tão alardeada pela administração petista, engloba muito mais do que simples tinta vermelha. Usar a bicicleta diariamente remete à possibilidade de fazer trajetos mais curtos entre a residência e o trabalho ou estudo. Como um trabalhador que mora em um extremo da cidade e trabalha no outro pode se dar ao luxo de usar a bicicleta?


Apenas atletas muito bem preparados conseguem percorrer distâncias de 25 a 30 km, na ida e na volta, e ainda ter energia para desenvolver suas atividades diárias. Morar perto do trabalho ou da escola ainda é um sonho para uma grande parcela da população, e por isso os deslocamentos de bicicletas diminuíram entre a parcela mais pobre.


Já entre os mais ricos, que residem em locais mais centrais e próximos de seus empregos, fica mais fácil. Além disso, há todo um apelo moderno sobre a sustentabilidade, e quem é engajado em causas sociais e ambientais responde a essas questões mais efetivamente.


Diante disso, a prefeitura de São Paulo não está, como gosta de alardear, trabalhando em favor dos mais necessitados. Mesmo porque São Paulo é uma metrópole com inúmeros problemas, e não se resume às ciclovias.


No Programa de Metas da atual administração pode-se notar que nem tudo são flores: foram entregues apenas 34,4% das creches prometidas, 22,9 dos CRAS (Centro de Referência da Assistência Social), 26,5% dos CEUS (Centros de Educação Unificados), 25,8% dos CAPS (Centro de Atenção Psicossocial), entre outras promessas não cumpridas.


É, podemos concluir que administrar uma cidade com a complexidade de São Paulo não é para qualquer um!

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