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Sistemas de aplicativos facilitam a vida do taxista do rolé

Motoristas auxiliares são os maiores beneficiados pela tecnologia

           

Nos últimos 12 meses o público carioca passou a se valer da tecnologia dos sistemas de aplicativos para chamar táxi. A novidade tem se mostrado benéfica principalmente para os taxistas auxiliares, como Eduardo Ferreira dos Santos, do grupo Taxista do Rei, que há um ano utiliza vários sistemas em um único smartfone. Para ele, a principal vantagem está no fim da “demonização” do taxista auxiliar não cooperativado, profissional que era rejeitado por preconceito de passageiros, já que os aplicativos permitem a identificação do motorista.

        

No facebook, Eduardo destaca que “Pelo fato do carioca ter medo de pegar táxi na rua a noite (mito criado pelas cooperativas e pela imprensa), o serviço ficava quase que monopolizado nas mãos das cooperativas, e o taxista do rolé ficava sem perspectiva de serviço após as oito da noite nos dias úteis. O aplicativo está acabando com esse mito e transformando a praça aos poucos, mostrando para a sociedade que não é necessário fazer parte de uma cooperativa para prestar um serviço de qualidade, e que a praça é de todos nós”, escreve.

        

Para Eduardo, os aplicativos fazem a diferença para os taxistas não cooperativados.  “Alguns colegas das cooperativas que utilizam os aplicativos conseguem complementar a renda até nos finais de semana, quando o serviço das cooperativas começa a cair”.

        

Eduardo foi cooperativado da Ouro Táxi por um ano e meio. Trabalhava como prestador de serviços. Saiu da cooperativa em março de 2013:

        

“Eu era prestador de serviços e pagava apenas a taxa fixa, além da diária e o aluguel da autonomia, de R$ 1.000,00. o custo da cooperativa chegou a R$ 1.035,00, fora as despesas com a manutenção do carro, que é financiado. O que sobra para mim é a menor parte. E a gente nunca sabe o dia de amanhã”, exclama o taxista.

        

Com todo este custo, Eduardo tem que arrecadar bastante para sobreviver. Por isso, começou a utilizar aplicativos:

        

“Fui apresentado a Easy Táxi há um ano. Na época, o sistema estava no começo e carecia de atualizações. Comecei a usar o Táxi Beat. Em Março, passei a utilizar o 99 táxi. Agora, estou mesclando rolé e três aplicativos. Se a rua estiver fraca, o aplicativo chama menos. Se está boa, não tenho a preocupação de descer vazio. Se tenho uma corrida para a Barra da Tijuca, vou certo que o aplicativo vai me tirar de lá de qualquer jeito. Outra vantagem é que podemos configurar o raio de alcance. Se o táxi estiver na Taquara, posso configurar o aplicativo para um raio de alcance até a Praça Seca, por exemplo”, disse.

        

Eduardo acredita que os aplicativos estão ameaçando as cooperativas.

        

“Vários passageiros que pego dizem que já não utilizam mais os serviços de uma cooperativa. O aplicativo é muito mais rápido. Não tem intermediação. Funciona em qualquer área do município. Nunca tive problema com área de sombra. O único problema é em relação às operadoras. Por umas três ou quatro vezes a Claro ficou fora do ar. Mas também posso escolher a operadora de celular”.

        

Ao comparar os custos, Eduardo diz que enquanto o cooperativado paga de R$500,00 a R$ 1.500,00, o uso de aplicativo ao custo de R$ 2,00 por chamada reduz o custo total a R$ 400,00:

        

“Se considerarmos que tem cooperativa que cobra R$ 200,00 por semana, este mesmo valor daria para realizar 100 corridas no aplicativo, a R$ 2,00 cada. Não fazemos cem corridas em uma semana”.

        

O taxista revela que chega a gastar com aplicativos R$ 70,00 semanais para atender a 35 chamadas no mesmo período. Isto sem falar no 99táxi, que é 100% gratuito.

        

“Recomendo a utilização de aplicativos pela facilidade. O passageiro acompanha o táxi em tempo real. Quando chegamos, ele já está esperando o táxi. O aplicativo otimiza o tempo do taxista. Ou estamos tripulados ou estamos em direção a um passageiro”.

        

Apesar da facilidade, Eduardo ainda não reduziu o número de horas de trabalho. Ele diz que a vantagem é trabalhar mais tranquilo.

        

“Antes, eu começava às 9h e parava de trabalhar às 23h. Hoje, já paro às 21h. Trabalho 12 horas em média, com uma hora de almoço. Faço até 12 corridas por dia. No final de semana, chego a 20 corridas”.

        

Nem todos são favoráveis aos aplicativos. Em São Paulo, a Associação Brasileira das Cooperativas e Associações de Táxis (Abracomtaxi), a Artasp (Associação de Rádio-Táxis de São Paulo) e o Sinditaxisp (Sindicato dos Taxistas Autônomos de São Paulo), entraram com um pedido de regulamentação dos aplicativos junto ao Departamento de Transporte Público, ligado à Secretaria Municipal de Transportes de São Paulo. Seus representantes consideram ilegais os sistemas de aplicativos. Alegam que as cooperativas pagam impostos que não incidem sobre as empresas que comercializam os sistemas. É a tecnologia alterando hábitos e costumes.

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