Corrupção de ideias

A crise generalizada por que passa o Brasil neste momento teria que surgir, mais cedo ou mais tarde. O desvio de dinheiro público vem de longa data e parece ter se institucionalizado. A ruptura deste modelo de administração pública tem se dado aos poucos e esta lentidão provoca prejuízos em vários setores da vida.


Olhando para o lado positivo da questão, vivemos uma boa oportunidade para revermos a nossa própria cultura. A depredação não acontece apenas na esfera política. A corrupção é abrangente. Vai desde o ato de jogar lixo na calçada até a iniciativa de desviar uma vasta soma de dinheiro destinado a limpar as ruas.


Mudar uma cultura é uma realização que leva tempo. Muito tempo. Além da corrupção financeira, temos a corrupção de ideias – as que justificam atos em favor daquilo que prejudicaria a vida de milhares de pessoas.


O caso do Uber é uma corrupção de ideia. A análise da pré-candidata ao governo dos EUA indica bem a questão. Os que aprovam o sistema de carona remunerada percebem apenas a ponta deste iceberg com profundas implicações e ramificações. A título de ‘modernidade’, seus defensores ficam cegos para os efeitos reais deste sistema na sociedade.


Já falamos aqui no retrocesso provocado pela “legalização” da pirataria nos transportes. Na verdade, a tal modernidade defendida para o setor, na prática, provoca um retrocesso. Promove a destruição de tudo o que foi construído em termos de controle e civilidade no transporte.


Outra ideia corrupta é a que pretende fazer de uma empresa privada e estrangeira a real gestora de um sistema que, constitucionalmente, deve ser conduzido e executado pela sociedade. Será o início do fim do Poder Público? Seremos todos monitorados por empresas? São muitas as questões.


No caso das empresas de carona remunerada, o controle ainda é pior. Seus escritórios tomam posse de nossos dados, de nossas vidas... e ainda controlam seus trabalhadores, empregados precários cujos direitos são violados até mesmo nos EUA.


Como diz a música, eles não sabem o quanto caminhamos para chegar até aqui. Foram milhas e milhas. E lãs podem ser destruídas por um avanço tecnológico que deixa de considerar que o homem é a medida de todas as coisas.

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